terça-feira, 25 de novembro de 2014

Moshpit | O código moral e os "bruce lees" da roda


Por Jaime "Netão" Guimarães

Segundo a Wikipédia (fonte de todos os meus conhecimentos) o mosh, ou moshpit, ou roda de pogo, ou apenas roda (ou apenas pogo), pode ser definido assim: “[...] forma de dança associada a gêneros musicais mais agressivos como o punk rock e o heavy metal. Nesta dança os participantes fazem movimentos bruscos como cotoveladas e joelhadas, pulam, correm, empurram e colidem entre si dentro de uma área circular delimitada. Embora o caráter violento da dança, não existe a real intenção de causar danos aos participantes.”

O fato é que esta excêntrica “dança”, surgida talvez com os movimentos punk/hardcore, tornou-se uma tradição de eventos de música pesada, assim como o stage dive (não confundir com mosh). Quem nunca se aventurou numa roda? (o duplo sentido não foi intencional). Pancadaria sonora frenética, um por um na bateria a todo gás, blast-beats vindos do inferno, d-beat puro sangue, amplificadores estourando seus ouvidos, muita birita, empurra-empurra e um calor infernal. Eu mesmo já perdi a conta de cotoveladas, chutes, socos, arranhões, puxões de cabelo, cabeçadas, mordidas, ameaças de morte e abraços de bêbado eu já recebi em alguns círculos infames deste gênero.

Claro, nem sempre – na verdade, na maioria das vezes – esses pequenos contratempos são voluntários (a não ser no caso das ameaças de morte). Em sua grande maioria, os participantes dessa brincadeira estão ali unicamente com intuito de se divertir, de extravasar.



Há um código moral implícito em meio a qualquer moshpit: Não pode entrar na malícia, dar soco na cabeça, dedos nos olhos e joelhada nas partes baixas; se “nego” cai no chão, não pode pisotear, tem que ajudar a levantar; não pode dar rasteira, nem cuspida; não pode entrar na roda com skate na mão (eu já presenciei isso); não pode tentar roubar a mochila do colega; não pode assediar, homens ou mulheres, pegar na bunda, dar dedada, etc...Quem for pego no flagra será cobrado.

No entanto, sempre tem um filho da puta pra querer atrapalhar tudo e machucar os meninos no mosh. É a figura do “bruce lee” da roda. Aquele cara que tá por ali gritando qualquer coisa, que já encheu a cara de “toddynho”, que está com a camisa do Pantera, Matanza ou The Trooper, do Iron Maiden, que tem índole de perversidade e alma de vagabundo de rua. Ele entra no pogo com os cotovelos em forma giratória e atacando feito um kamikaze. Quase sempre calçando uma bota de trilha, chega chutando as canelas alheias sem pena alguma, deixando a marca do sapato estampada. Ele é aquele chato que puxa a galera que tá fora do círculo para dentro e começa a empurrar todo mundo.



Quando o bruce lee da roda começa a agir, logo é notado. O pessoal já fica de olho. Alguns se retiram, outros esperam pra dar o troco e/ou intimá-lo. Claro, não é questão de “moleza”, todo mundo sabe que a roda é brincadeira de gente grande, e que quem entra está pondo picos de adrenalina e energia pra fora. Mas não vamos exagerar, né? Já vi gente colocando protetor bucal e tudo, se preparando pra foder a turma. (risos)


Resumindo, não seja o bruce lee da roda. Ostente essa bandeira, vamos fazer disso uma corrente. O bruce lee é aquele cara que entra pra igreja e queima os vinis. É o maluco que bebe a cerveja do cara que tá no palco tocando. Ele é o cara que mexe a boca pra dizer que sabe a letra da música, mas não sabe. Quando sua mãe diz que “no rock só tem ignorante e gente duvidosa” ela está falando do bruce lee.



Há algum tempo encontrei pelo youtube o curta-documentário Roderia (Death Metal), de 2004. De direção de um maluco chamado Léo Je$u$, o curta foi gravado durante um show do Napalm Death no Rio de Janeiro; e mostra como acontece uma roda. Durante o filme são apresentados os “rebatedores”, os caras mais “insanos” daquele moshpit. Os personagens falam da energia que é entrar em uma roda de pogo, alguns falam em “espancar os metaleiros”(risos), outros dizem que tudo não passa de um esporte. Entre as figuras estão eles, os bruce lees escrotizantes. Vale a pena assistir.


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E não seja a porra do bruce lee da roda, morô?!

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